27 junho, 2010

A flor de Feynman



Feynman se queixa de um amigo seu, artista, que diz: “Vocês cientistas não sabem entender a beleza de uma flor: vocês pegam a flor e separam parte por parte, até ela perder a graça”. Ele diz: “Ora, tudo que outras pessoas vêem numa flor eu também vejo, mas vejo muito mais. Eu posso imaginar as estruturas das células lá dentro, e ver como são bonitas. A flor tem beleza numa escala de centímetros, mas também numa escala muitíssimo menor. O fato de que a flor é capaz de desenvolver cores para atrair insetos também é interessante. Isto quer dizer que os insetos enxergam as cores. Será que eles têm também um senso estético? Como se vê, o conhecimento científico só faz aumentar a beleza e o mistério das coisas, não vejo como possa diminuí-lo”.

mais aqui: http://highway358.blogspot.com/2008/12/flor-de-feynman.html

17 junho, 2010

O Big Bang

Steven Weinberg, um físico de muita imaginação, escreveu um livro surreal chamado Os Primeiros Três Minutos. Nesse livro ele tenta descrever como foram os primeiros três minutos do surgimento do universo por meio da teoria do Big Bang. Não li o livro ainda, mas morro de curiosidade. Tento imaginar -- à meu modo -- como tudo ocorreu. Claro, todo grande projeto merece uma abertura majestosa, pirotécnica. Lá estava o Trio divino pensando "porque não uma brilhante e barulhenta explosão cheia cor e vida?", a abertura do universo merecia. Agora tente ver comigo. Dá pra pensar em toda essa vastidão inter-galática de sóis, planetas, buracos negros reluzentes (e vorazes) se expandindo a partir de um único ponto? Um pontinho? Poderiam zilhões de estrelas caberem todas lá? Somos tão pequeninos. Quem sabe Deus não tenha tirado a semente universo do bolso da camisa e sorridente visto sua expansão de óculos escuros. É só especulação.

29 abril, 2010

Livro Didático de Verdade

Já passei por muitos livros "didáticos" na minha vida e gostaria muito que os autores tivessem a naturalidade humana destes:

Vasculhe seu sistema Unix antes de prosseguir. Não se preocupe - se você não for o superusuário e usar somente os comandos não-destrutivos como cd, ls e cat, não há possibilidade de "estragar" nada. Depois de fazê-lo, vá para casa, se arrume e saia, como fez no capítulo anterior. Ou antes, largue este livro e pegue Crime e Castigo, de Dostoiévski. Ou vá tocar flauta doce. Mas relaxe e não pense em Unix até amanhã. (Ulbrich e Della Valle, Universidade Hacker, pg.93)

09 abril, 2010

Privilégio


"A não ser que sejamos muito ingratos, aqueles fundadores das ideias sagradas nasceram para nós e nos prepararam para a vida. Pelos seus esforços, somos conduzidos das trevas para a luz, para as coisas mais belas. Não nos é proibido o acesso a nenhum século, somos recebidos em todos; e se desejarmos, pela grandeza da alma, ultrapassar os pequenos limites da fraqueza humana, há um enorme espaço de tempo a ser percorrido." -- Sêneca.

28 março, 2010

Sobre o hábito da leitura


A leitura é uma atividade quase integral na vida das pessoas que se preocupam com seu crescimento pessoal. É fundamental aprender a ler direito, isto é, escolher bem o que -- e quem -- se lê, e também como se lê.

Quero compartilhar nesse espaço algumas citações de dois pensadores que me ensinaram muito sobre como ler: o filósofo americano Allan Bloom, e o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. As obras -- recomendadíssimas -- de onde foram extraídas as citações são respectivamente: O declínio da cultura ocidental e Sobre o ofício do escritor.


Comecemos por Allan Bloom. Ele é quem me ensinou o valor da "literatura em grande estilo".


O refinamento do espírito que permite ver as delicadas diferenças entre os homens, entre seus atos e seus pensamentos e que constitui o verdadeiro bom gosto, é impossível sem o auxílio de literatura em grande estilo. (pg. 77)




Sem literatura nenhuma observação do gênio é possível e lá se vai a bela arte da comparação. (pg. 81)



... a falta de leitura de bons livros enfraquece a visão e, ao mesmo tempo, reforça a mais fatal tendência humana: a de crer que tudo o que existe é o aqui e agora. (pg.81)


Arthur Schopenhauer escrevia sobre coisas práticas, como sobre o ofício do escritor (também escreveu sobre como lidar com as mulheres. Não recomendo, especialmente para as mulheres), que é indissociável da prática da leitura.


.... o escasso tempo destinado à leitura deve ser exclusivamente dedicado às obras dos maiores espíritos de todos os tempos e de todos os povos, que sobressaem em relação ao restante da humanidade e que são assim designados pela voz da glória. Apenas estes instruem e ensinam realmente. (pg.101)



Portanto, devem-se ler, se possível, os autores verdadeiros, os fundadores e inventores das coisas, ou ao menos os grandes mestres reconhecidos da área, e preferir em segunda mão os livros, e não seu conteúdo. (pg.9)



Um livro nunca pode ser mais do que a impressão dos pensamentos do autor. (pg.11)



Se, ao contrário, lê-se continuamente, sem mais tarde pensar a respeito do que se leu, o conteúdo da leitura não cria raízes e, na maioria das vezes, perde-se. (pg.97)



Como as pessoas lêem sempre apenas as novidades em vez das melhores obras de todos os tempos, os escritores permanecem no âmbito restrito das idéias circulantes, e a época afunda cada vez mais na própria sujeira. (pg.101)



Todo e qualquer livro importante deve ser lido duas vezes seguidas; em parte porque as coisas são compreendidas com mais facilidade em seu contexto quando lidas pela segunda vez e porque só se entende de fato o início depois de se conhecer o fim; em parte porque, a casa trecho, a segunda leitura fornece um efeito e um estado de espírito diferentes dos que se sentem na primeira, fazendo com que a impressão resulte distinta; é como ver um objeto sob outra iluminação. (pg.105)

30 setembro, 2009

Dois tipos de escritor

Faz parte dos meus objetivos de vida desenvolver a habilidade de escrever ao máximo possível. Tendo isso em vista, iniciei a leitura de Sobre o ofício do escritor, de Arthur Schopenhauer, editora Martins Fontes. Já de início, nas três primeiras linhas do livro, grandes expectativas se acenderam do que estava por vir.


"Antes de tudo, há dois tipos de escritor: os que escrevem por amor do assunto e os que escrevem por escrever." pg.3.


Achei perfeita essa divisão. Mais adiante ele observa:


"Só quem é movido exclusivamente pela causa que lhe interessa escreve o que é digno de ser escrito." pg.4.


Tão logo você percebe que o livro que você está lendo foi escrito por um escritor do segundo tipo, aconselha Schopenhauer, deve-se se "desfazer do livro, pois o tempo é precioso."

09 setembro, 2009

Para eu não me esquecer

Um dia, quando Ben Franklin era jovem inexperiente, um "old Quaker Friend" chamou-o de parte e fustigou-o com algumas verdades ferinas, alguma coisa parecida com o seguinte:

"Ben, você é impossível. Suas opiniões possuem sempre uma ofensa qualquer para os que delas diferem. Tornaram-se tão desagradáveis que ninguém as procura. Seus amigos divertem-se mais quando você não está presente. Você conhece tanta coisa que as outras pessoas nada lhe podem dizer. Deste modo, ninguém ousa experimentar, pois o esforço o levará apenas a um trabalho penoso e desagradável. Por isso, você não tem probabilidade de conhecer nada mais do que já conhece agora, o que, diga-se de passagem, ainda é bem pouco".

Uma das coisas mais notáveis que conheço sobre Ben Franklin foi o modo pelo qual ele recebeu esta sábia repreensão. Foi bastante grande e bastante sábio para compreender que tudo aquilo era verdade, vendo que estava sendo levado para um fracasso e para um desastre social. Assim, transformou-se por completo. -- Dale Carnegie, Como fazer amigos e influenciar pessoas.